sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A realidade caiu sobre os meus ombros de tantas formas essa semana que eu ainda não consigo me concentrar em mais nada.

Eu olhei para os meus pais e eu vi o tempo. Eu parei e eu vi todos os anos, todas as consequências, todas as escolhas. Eu vi cada curva da história. Cada luta. Cada erro.

Eu chorei escondida no final do dia.

Eu atravessei a plataforma na estação de metrô e eu vi um colega de escola. Sujo, dormindo no chão, morando na rua. Eu já tinha ouvido sua história, expulso de casa pela família preconceituosa quando a avó que o acolhia faleceu. Eu me lembrava dele na escola, dançando as coreografias no palco, rindo, cantando, brilhando. Ele só tinha 14 anos. Ele tem a minha idade. Passou os últimos onze anos por conta própria.

Eu fiquei paralisada e me sentindo impotente, covarde e perdida.

Eu abri o Facebook e eu vi a perda. Fui informada da morte de uma pessoa que mal conhecia, mas que me atingiu mesmo assim. Tão jovem. Tão difícil para quem fica. Tão inesperado.

Eu soube que somos todos terrivelmente vulneráveis.

Eu tentei organizar uma viagem e eu vi a fragilidade. Eu vi o quanto estou limitada pelos meus problemas e o quão pouco eu sei sobre as pessoas que eu amo. Eu vi o quanto de distância e de solidão se intrometeu na minha vida e foi como levar um chute no estômago.

Eu sinto tantas saudades.


Eu sinto muito.

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