sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A realidade caiu sobre os meus ombros de tantas formas essa semana que eu ainda não consigo me concentrar em mais nada.

Eu olhei para os meus pais e eu vi o tempo. Eu parei e eu vi todos os anos, todas as consequências, todas as escolhas. Eu vi cada curva da história. Cada luta. Cada erro.

Eu chorei escondida no final do dia.

Eu atravessei a plataforma na estação de metrô e eu vi um colega de escola. Sujo, dormindo no chão, morando na rua. Eu já tinha ouvido sua história, expulso de casa pela família preconceituosa quando a avó que o acolhia faleceu. Eu me lembrava dele na escola, dançando as coreografias no palco, rindo, cantando, brilhando. Ele só tinha 14 anos. Ele tem a minha idade. Passou os últimos onze anos por conta própria.

Eu fiquei paralisada e me sentindo impotente, covarde e perdida.

Eu abri o Facebook e eu vi a perda. Fui informada da morte de uma pessoa que mal conhecia, mas que me atingiu mesmo assim. Tão jovem. Tão difícil para quem fica. Tão inesperado.

Eu soube que somos todos terrivelmente vulneráveis.

Eu tentei organizar uma viagem e eu vi a fragilidade. Eu vi o quanto estou limitada pelos meus problemas e o quão pouco eu sei sobre as pessoas que eu amo. Eu vi o quanto de distância e de solidão se intrometeu na minha vida e foi como levar um chute no estômago.

Eu sinto tantas saudades.


Eu sinto muito.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Claudia

A Claudia é minha amiga há muito tempo. Mas sempre parece que tem algo novo para eu descobrir sobre ela. E eu sinto muitas saudades.

Ao mesmo tempo, tudo com a Claudia é muito familiar. A risada dela e as coisas que ela diz, tudo isso remete a algum pedaço da minha história.

Claudia dividiu comigo o primeiro amor e o primeiro coração partido. Dividiu comigo horas intermináveis em uma praça. Tardes e mais tardes. Dividiu as notas dos trabalhos, o estudo para as provas, as preocupações da adolescência e agora as lutas da vida adulta.

Claudia sempre me ouviu. Nem sempre concordamos, mas Claudia sempre me escuta. E eu sempre a escuto também. Somos adultas agora e, muitas vezes, escutar é tudo o que podemos fazer uma pela outra. E fazemos.

Claudia tem dentro dela mil vozes. Um monte de personalidades, de personagens, de camadas. Claudia tem mil e uma expressões e o rosto dela se molda de todos os jeitos que ela quer. Os olhos dela são lindos e ela também é.

Claudia divide comigo o gosto por coisas fofinhas. E solta 'owns' para as mesmas coisas que eu.  Claudia gosta de gatos. E de cachorros. E vai ser uma bióloga incrível.

Claudia também gosta de heróis. E vampiros. E música. Teatro. Dança, Arte. Café. Macarrão. Cinema. Livros. Lugares ao ar livre.

A Claudia também gosta de mim. Do lado dela eu nunca me sinto ignorada, ou preterida, ou sozinha. Do lado dela eu sou só eu e me sinto bem com isso.

Claudia é uma das pessoas mais fortes que eu conheço. Uma das mais corajosas também. Claudia é heroína da própria história, protagonista em cena, e eu sinto orgulho dela e de cada passo que ela dá em direção aos objetivos que tem. A admiro mais cada vez que me dou conta de como a vida é difícil e de quantos desafios diferentes ela já enfrentou e segue de pé. Sua luta é incansável.

Claudia nem sempre é compreendida. Claudia as vezes é julgada por um monte de gente que não consegue entender a profundidade de tudo o que ela é, tudo o que ela sonha, tudo o que ela está construindo para si mesma. Nem sempre o mundo é justo com ela.

Claudia vai chegar longe e vai encontrar um jeito de ser feliz e se libertar de todas as tristezas. Todos os dias, eu torço para que esse momento esteja mais perto. E está. Ali, virando a esquina, está o futuro pelo qual ela tanto está lutando.

E eu vou estar, plateia cativa e fiel, pronta para aplaudir seu sucesso.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

eu faço do sorriso o meu refúgio. essa minha calma controlada, esse meu jeito de encarar o mundo, tudo isso eu conquistei devagar. me construi peça por peça depois de tropeçar em muitas das coisas que hoje são parte de mim. as quedas me fizeram mais forte e mais tranquila. as circunstâncias me moldaram e me trouxeram até aqui.

mas meu bem, olha para mim. vê aqui por trás do meu sorriso e percebe que eu às vezes ainda me sinto só. olha bem e vai ver, às vezes me falta calor. me falta propósito, e certeza, e coragem. mas eu não paro. se eu parar eu perco o jogo, a pose, o rumo. se eu parar me perco de mim.

me dá a mão? quando você segura a minha mão eu me lembro do nosso caminho inteiro. é a minha história guardada na sua memória e a sua história guardada na minha. somos nós dois contra o mundo. que seja isso, e nunca nós dois um contra o outro.

se eu te pedir, você fica do meu lado? você compra a minha briga e fica acordado até que eu consiga dormir? se eu parar e ouvir o seu silêncio, eu vou te ouvir me amar?

eu sou menina-moleque, menina-piada, menina-mulher, menina-poeta. mas eu sou só uma menina. sozinha e pequena, criança em um mundo enorme que jamais sentiria a minha falta. você sentiria?